segunda-feira, 23 de abril de 2012

Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor


No Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, a Alfarroba Edições - a sua equipa, apoios e colaboradores - quer homenagear o livro, quem lê, mas particularmente os autores. Sem imaginação, sem histórias e aventuras para partilhar, o mundo dos livros seria pobre. Sem ilustrações - imagens, fotografias e desenhos - o mundo da cor em forma de letras não seria tão rico. A todos eles a Alfarroba agradece. Queremos mais livros, mais histórias para encherem a nossa imaginação de conceitos, personagens e ação. Queremos mais livros nas estantes das casas dos nossos leitores. Queremos letras e imagens na forma de "folhas que se querem ler". 

Alfarroba Edições 

(alguns livros "Alfarrobeiros" que andam por aí)

Novo Booktrailer do Clube dos Exploradores

Hoje é dia mundial do livro! Para comemorar, a Alfarroba partilha convosco um novo booktrailer da Coleção dos Exploradores.

Às avessas

A autora - Carmen Ezequiel - e ilustrador - Nuno Ezequiel - do livro "Afonso e Roma às Avessas" estiveram numa escola de Vila Boim, em Portalegre, à conversa com os alunos. Esta semana o "Afonso" colocará também às avessas a EB1 Meco e EB Caldas da Rainha.

Muitas pulgas para partilhar

No sábado passado, a Alfarroba e a autora Sara Policarpo estiveram no Fórum Municipal Romeu Correia, em Almada, para uma atividade com pais e crianças, inserida na hora do conto. As crianças tiveram oportunidade de ouvir a história, conversar com a autora e ainda fazer a sua própria interpretação da história. Resultado: muitas pulgas para partilhar!

quinta-feira, 19 de abril de 2012

mimos feitos a partir do livro "Afonso e Roma às Avessas"

Uma escola básica do 1.º ciclo do Montijo fez-nos chegar estes mimos logo pela manhã: Trabalhámos a história "Afonso e Roma às avessas". Ao nível da Língua, fizemos a exploração oral e a expressão escrita. Recorremos à expressão plástica para decorar o placard que está situado na entrada da nossa sala. Aqui fica o nosso trabalho.
Os alunos do 4.º ano desenharam um Afonso muito bonito. Recorreram a diversos materiais de forma a dar textura ao trabalho. Os alunos do 1º ano pintaram as letras e as fitas. Muito bem Pequenos e Grandes Sabichões!

Fantástico!

Ontem a alfarroba complementou o seu catálogo na área do fantástico com o lançamento da 1.ª parte das "Crónicas de Lusomel" - "O Templo dos Três Criadores". O auditório da Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro encheu para receber o autor Filipe Cunha e Costa. Falou-se do percurso da escrita, das personagens e dos próximos volumes, já em fase de preparação.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Para os mais pequeninos

Hora do conto "Carlota, a pulga idiota", dinamizada pela autora Sara Policarpo no Forum Municipal Romeu Correia - Almada.



Dia: 21 de abril
Horário: 16h00
Local: Setor Infantil

Hora do conto “Carlota, a pulga idiota” dinamizada pela autora Sara Policarpo
Carlota é uma pulga que não sabe estar quieta, faz muitas travessuras e tem mil ideias. Um dia descobre que há um local que a irá ajudar a colocar em ordem as suas ideias – a escola. Vem ouvir esta história contada pela autora do livro.

Duração: 90m
Público-alvo: crianças dos 4 aos 8 anos
Lotação máxima: 10 famílias (máximo 20 participantes)
Marcação prévia: Sílvia Antunes
biblactividades@cma.m-almada.pt
212 724 923

A aventura começa amanhã...


segunda-feira, 16 de abril de 2012

Vencemos o Benfica!

Vencemos o Benfica por alguma horas em Oliveira de Azeméis. O lançamento do livro "Um Tesouro Maior" de João Paulo Santos teve casa cheia na biblioteca Municipal de Oliveira de Azeméis.
Um livro a transbordar de mistério, para descobri e ficar inebriado pela história.





de regresso a casa...

Depois de Vila Nova da Barquinha o autor Emílio Miranda regressou a casa - Vila Real - para apresentar o seu livro "Uma Linha de Torres", num ambiente informal e familiar.



terça-feira, 10 de abril de 2012

Workshop Escrita Criativa

E temos ainda uma outra novidade... fresquinha e entusiasmante:

Vamos dar início no mês de abril aos WORKSHOP ESCRITA CRIATIVA

Crítica Literária - Os Livros Nossos



“Demência”, um romance da jovem autora Célia Correia Loureiro, traça-nos um retrato nítido, realista e dramático de uma certa mentalidade tão Portuguesa, ainda presa a estereótipos paternalistas e maniqueístas, presente em tantas aldeias por esse Portugal fora.
Com uma escrita profunda, falando directamente ao coração do leitor, e cativando-o, a autora demonstra saber despertar em nós leitores toda uma panóplia de emoções, desde a ternura, simpatia, piedade, raiva, num verdadeiro turbilhão emocional que nos vai arrastando ao longo do processo viciante de leitura, já que torna-se imperativo saber mais e mais sobre a vida das personagens, à medida que nos vai sendo desvendado o seu passado, ficamos ansiosos para saber o seu futuro.

Célia Loureiro escreve com uma maturidade que, há muito, não descobríamos em alguém tão jovem (a autora tem apenas 22 anos).

Com “Demência” travamos conhecimento com um leque de personagens fortes, bem construídas, com uma carga psicológica bem marcada e delimitada.

Numa brilhante articulação entre passado e presente (a autora recorreu a analepses para, ao longo da narrativa principal, ir dando a conhecer o passado das principais personagens femininas e masculinas) vai sendo sabiamente traçado um paralelismo entre as duas principais figuras femininas – Olímpia e Letícia – respectivamente sogra e nora, e se estas começam por nos parecer muito dispares entre si, acabamos por descobrir que, no percurso de vida destas mulheres, há algo mais em comum do que uma tragédia que para sempre as marcou.

Letícia é chamada por uma vizinha para tomar conta da sogra Olímpia, a qual revela sinais evidentes de senilidade (esquecendo-se de actividades quotidianas rotineiras, como tratar dos seus animais), trazendo consigo as duas filhas (e netas de Olímpia) a madura Luz e a doce Maria, duas crianças que terão de aprender a suportar o peso da história menos feliz da sua família nuclear. As principais personagens masculinas – Sebastião e Gabriel – homens de duas gerações distintas, acabam por ir em socorro de Olímpia e Letícia, e simbolizam a dedicação, a lealdade e o amor, nos seus estados mais puros.

Nitidamente “Demência” arrasta-nos para uma aturada reflexão para temas candentes do nosso quotidiano, e para problemas sociais como: o envelhecimento populacional e as necessidades de amparo da população mais idosa, a degradação física e psíquica gradual associadas a doenças como a Alzheimer; a violência doméstica, as dificuldades e o isolamento a que vivem votadas as populações em tantas aldeias do interior do País, e os riscos de exclusão social e julgamento público, para quem, por circunstâncias da vida, não adopte aquele que seja considerado o padrão comportamental adequado à condição feminina, considerando-se uma visão a antiquada e mesmo “machista” tão evidente ainda hoje em zonas rurais, e curiosamente, seguida por homens e inquestionada por mulheres.




Com uma escrita viva, fluente e cativante, Célia Loureiro transporta-nos para o convívio com estas personagens e as respectivas problemáticas, e arriscaríamos mesmo a dizer que o título da obra vai mais além do problema base que despoleta toda a narrativa – a senilidade de Olímpia Vieira que a leva a ficar gradualmente dependente de terceiros ( e de quem menos esperaria, como a sua nora Letícia), arriscamos a dizer que “Demência” pode ser uma metáfora para tudo o que ainda é preciso amadurecer e evoluir em termos sociais e humanos no pais profundo, tanto mais premente, quando se vivem tempos complicados a todos os níveis da vivência humana.

Uma palavra final para os leitores, será interessante atentarmos na descrição realista da vida numa aldeia portuguesa, quem viva numa zona rural, reconhecerá vários aspectos, e quem for citadino, encontra aqui uma boa oportunidade para ver as diferenças entre as zonas rurais e citadinas, com tudo o que de positivo e menos positivo tal pode acarretar.

Trata-se de uma obra cuja leitura recomendamos vivamente e que nos faz aguardar pelo próximo livro de Célia Loureiro. Nota máxima, sem dúvida.

Crítica Literária - As Leituras do Corvo

O Teu Relâmpago na Minha Paz (Luís Miguel Raposo)

Carla entrou na vida do protagonista para abalar as fundações da sua vida. Tão diferente de tudo o que ele até então conhecera, Carla foi mudança e descoberta, mas também abalo e ruína do rumo de toda uma vida. O trabalho, os gostos, até mesmo a forma de ver a vida foram abaladas pela forma muito particular como Carla vivia a sua própria vida. Nasceu amor, de uma forma muito peculiar, mas um amor que de romântico teria muito pouco. Um amor fora do normal, pois também Carla o era.
Com uma parte considerável escrita em forma de poema e o restante com um ritmo de escrita que se define pelo fluir do pensamento do narrador/protagonista, a impressão inicial deste livro é a de uma natural estranheza. É preciso assimilar a forma como a narrativa flui, sem uma linha temporal definida, mas antes evocando memórias à medida que estas parecem surgir na mente do narrador. É preciso, ainda, assimilar a forma muito própria de escrita, onde os devaneios se entrelaçam com um descrever de acontecimentos onde é sempre o ponto de vista do protagonista que prevalece. Tudo isto faz com que não se possa considerar este livro como de leitura compulsiva, já que exige tempo e atenção para captar todas as suas peculiaridades.
Assimilados todos estes aspectos invulgares, o ritmo de leitura torna-se bastante agradável. As impressões do protagonista sobre os acontecimentos e a forma como estes abalam a sua vida tornam-se familiares e o seu ritmo de pensamentos torna-se fácil de acompanhar. Neste ponto, as acções do protagonista tornam-se mais interessantes e a forma como a sua estranha relação com Carla acaba por evoluir torna-se também mais cativante, à medida que o fim inevitável se vai insinuando, deixando sempre em aberto uma vaga esperança de que tudo possa ser diferente.
Trata-se, portanto, de um livro que, apesar de uma fase inicial em que é exigida alguma concentração para superar a estranheza de todas as suas particularidades, se torna, com o avançar da narrativa, numa leitura envolvente em que o amor e a perda são abordados de uma forma muito própria. Gostei de ler.

À Lareira com... Luís Miguel Raposo

À Lareira com... Luís Miguel Raposo

Bom dia e bom domingo.
Cá estamos nós para a nossa conversa de domingo. Ansiosos?
Hoje o nosso convidado é Luís Miguel Raposo, autor do livro "O teu relâmpago na minha paz", editado pela Alfarroba.



À Lareira Com...Luís Miguel Raposo, autor do livro "O Teu relâmpago na minha paz".

Fale-nos de si.

Sou natural de Almada e completei em Novembro quarenta anos. Sou licenciado em gestão de empresas com pós-graduação em marketing internacional. O mar e o surf são paixões já antigas. actualmente, costumo surfar sobretudo na Costa de Caparica, com um grupo fantástico de amigos que receberam muito bem o meu primeiro livro, «marés de inverno», editado em 2009, e aos quais sou devedor de uma sequela. Dois anos depois, foi publicado o «quando morreres vou amar-te», o meu trabalho mais complexo e intimista, e agora, pela Alfarroba Edições, «o teu relâmpago na minha paz». Sou fã de todas as formas de metal mais extremo e de música alternativa, mas o cd que mais vezes ouvi é o «koln concert», do Keith Jarret. Sou muito nostálgico em relação à minha terra e sempre que posso revisito os espaços e os amigos que me são mais queridos. Tenho um irmão, alguns anos mais velho, que vejo menos vezes do que gostaria. Gosto de acordar cedo, mas detesto despertadores. Gosto de escrever em lugares cheios de pessoas, mas irrita-me ser interrompido. Vi o «excalibur» dezassete vezes e li o «stonehenge» oito. Voltei recentemente a morar em Almada.

Lançou recentemente o livro “O teu relâmpago na minha paz”, o que o inspirou a escrever este livro?

A primeira ideia consistiu em expor um indivíduo muito formatado e arrumadinho, dotado de uma visão do mundo em redor dobrada pelos cantos e diminuída face ao todo, à cultura do surf, atirá-lo contra a cultura do surf e vê-lo partir-se em bocados, por assim dizer. Portanto confrontando-o de um modo enxovalhado e conflituoso, contrastando com o seu carácter de estante. Carla surgiu então como a causa para essa exposição. Contudo, à medida que ia escrevendo, assumiu outra dimensão e outro relevo, foi ganhado peso, gravidade, importância e presença que não antevi no início. Chego mesmo por vezes a pensar que «o teu relâmpago na minha paz» é um livro bipolar. Penso-o na medida em que ondula nesta confrontação como uma embarcação num mar nervoso de onde parece não haver retorno seguro. Tem traços comuns aos meus trabalhos anteriores, como a profusão de sentimentos e uma escrita emotiva, mas tem também uma vertente diferente e fresca, muito ritmada, cheia de peripécias, momentos lúdicos, até mesmo absurdos. A história passa-se em Almada, evoluindo entre lugares reais, como, por exemplo, o Covil, o New Cheers, o Acercadanoite. João Pedro, o protagonista, tem uma relação de estante arrumada com Vera, toda a sua vida organizada e um percurso profissional em ascensão. Certo dia conhece Carla e a sua vida começa a desmoronar. Todo o seu tempo é comandado por Carla. Conhece ainda Rita e em todos os seus pensamentos nenhum é capaz de resistir ao apelo de Rita.

A personagem principal deste livro, João Pedro, gosta de tudo arrumado. Revê-se neste personagem?

Uma certa faceta de mim, sim. Não o meu todo. Talvez o meu lado mais racional, sim, não mais do que isso. O João Pedro reduz a realidade, a percepção do que o rodeia e está para lá dos muros da compreensão imediata. Andou anos dissociado do primordial das coisas e das pessoas. Neste aspecto somos diferentes, divorcio-me dele daqui em diante. O meu lado mais emocional e sensorial move-se no extremo oposto.

Dos livros que já publicou, algum deles tem um significado mais especial?


Seria injusto, sobretudo para comigo mesmo, não reconhecer que todos os três têm significados especiais. Se assim não fosse não os teria escrito. De certeza absoluta têm significados diferentes, na medida em que foram escritos em fases diferentes da minha vida, com necessidades diferentes, anseios diferentes, relações e percepções diversas com o meio envolvente e com as pessoas próximas. Todavia, tenho uma relação mais especial com o «marés de inverno». O tema da amizade e das encruzilhadas da vida e das opções que tomamos defronte e que determinam o afastamento entre amigos mais do que qualquer outro obstáculo, o mar e o surf e, claro, o primeiro amor enquanto amor imutável, obsessivo, persistente e inultrapassável são-me raízes na vontade de querer contar histórias.

O que considera ser mais gratificante enquanto escritor?


Poder expor a desconhecidos sentimentos que doutro modo não revelaria sequer ao meu círculo mais estreito de relacionamentos. Poder silenciar os meus gritos interiores, as vozes na minha cabeça, numa folha de papel, sufocá-los com tinta. Ouvir os relatos dos leitores sobre como os meus livros os tocaram, o que pensam deles, da minha escrita, da forma como me expresso, o modo como relacionam certo personagem, certo acontecimento, certo gesto com eventos das suas próprias vidas. O retorno é das coisas mais maravilhosas da literatura. e, finalmente, as pessoas maravilhosas que conheci graças aos meus livros, em particular um vasto grupo de surfistas que certo dia, quando eu chegava ao carro depois de uma sessão matinal de surf, se me dirigiu a perguntar se eu não era o autor do «marés de inverno». Assinei alguns exemplares nesse mesmo dia, mas mais importante fiz novos amigos que ainda hoje fazem parte da minha vida.

E mais frustrante?


Expliquei numa entrevista recente por que não me considero escritor. Não vou forçar aqui a repetição das razões. Será suficiente dizer não me considero escritor. E porém escrevo. E tenho com isso hábitos e necessidades de quem escreve. Frustra-me o embate destes hábitos, o empenho e a dedicação com que escrevo, com a leviandade com que as pessoas que me rodeiam encaram a escrita, como se a produção intelectual fosse uma espécie de ócio deslavado que está no fim da lista das prioridades do quotidiano.
Ainda me frustra a forma como certas pessoas pensam que me conhecem a partir do que escrevo, colocando-me numa espécie de pedestal ou numa ala de vilões conforme o livro que leram e o personagem que escolheram para a associação. Tive já oportunidade de dizer que os meus personagens são muito mais interessantes do que eu.
Dada a distância do meu jeito de escrever para os jeitos mais abundantes, é igualmente frustrante reconhecer o reduzido interesse das grandes editoras por formatos, digamos, alternativos.
Como autor português, sente que são pouco divulgados e lidos?

Não analiso a cena literária, nem pretendo fazê-lo, e não tenho fundamento para ser exacto na resposta. Todavia, o que é evidente e não parece carecer de análise é que os grandes grupos editoriais constroem um ou dois escritor a cada dois ou três anos e investem tudo na sua manutenção durante longos períodos, na maioria dos casos muito mais do que o valor literário da obra produzida parece justificar. Posto isto, é claro que não sobra orçamento para os demais que lutam no lodo por um pedaço de terra seca e onde existe tanto potencial por expor. São opções e o valor literário não está no topo dos critérios. Os leitores lêem o que as editoras querem que leiam. O próprio nome de um dos maiores grupos, o tal de que se diz matou a genuinidade literária e o acesso dos novos autores ao mercado, é bastante exemplificativo... e imperativo, de certo modo, afrontoso. Podes escrever o mais belo livro de sempre, mas ninguém vai lê-lo se as editoras não quiserem.

O que a escrita significa na sua vida?

Não devo nada à escrita nem a escrita deve a mim. Escrevo pelo prazer de escrever. Para aplacar os meus medos e dar estrada aos meus risos para que cheguem a lugares onde possam provocar risos e assim terem continuidade. Sim, choro e rio a escrever. Como escrevo maioritariamente em locais públicos, enfim, já deve haver um bom punhado de gente que duvidou da minha sanidade aqui ou ali. Tenho esperança de um dia vir a encarar de um modo mais sério a escrita, não no meu empenho, na abrangência de potenciais leitores. Não sei ainda porém como fazê-lo sem subverter o que hoje me motiva a escrever.

Indique-nos um dos livros que considera dos melhores livros que já leu, um dos seus preferidos.

Bem, só pode ser o «Stonehenge», do Bernard Cornwell. aconselho a toda a gente.

Tem algum escritor como inspiração?

Não, procuro inspiração na realidade mais simples das coisas e das relações humanas. Vou portanto vasculhar no mundo em redor, nas memórias e nos lugares sensoriais dentro de mim a matéria para escrever. Podem até ser histórias de outros, como, por exemplo, o «quando morreres vou amar-te», que nasceu de uma história imaginada pela Maria José Caiola. Escrevo sobre o que me incomoda e o que me fascina, sobre o que observo e do modo como interpreto o todo que me permeia e permanece em mim a exigir-me palavras que o descrevam.

Deixe uma mensagem aos nossos leitores, cada vez mais interessados na leitura e nos autores portugueses
.

Há extraordinários autores portugueses e extraordinários livros fora do formato mainstream dos destaques das livrarias. Procurem, abram, corram algumas folhas, digiram algumas linhas, descubram, descubram... e levem-nos para casa. Raro a beleza se encontra imediatamente atrás da porta. só no dicionário a beleza está antes do vestíbulo. Entrem no âmago da literatura e montem aí a tenda das leituras. Deixo o meu email luis.m.raposo@hotmail.com e o meu perfil no facebook https://www.facebook.com/#!/luis.m.raposo caso queiram entrar em contacto comigo.

Obrigada Luís Miguel Raposo

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Ao domingo com... Elisabete Bárbara

Ao domingo com... Elisabete Bárbara

Nasci em Odemira há quase 43 anos mas cedo vim para Viseu, cidade em que fiz todo o meu percurso escolar até à entrada, tinha eu 17 anos, na faculdade de Letras, em Coimbra. Sempre quis ser professora, não sei bem se pela minha vontade de ensinar se pela possibilidade de, desta forma, continuar ligada às palavras e ao mundo fantástico da narração, das histórias que, desde muito cedo também, me preenchiam os dias e a imaginação.

Não sei ao certo quando ou como surgiu o meu gosto pela escrita. Sei apenas, e é o bastante, que a leitura e a escrita sempre fizeram parte da minha vida. O mundo das palavras – e daquilo que elas nos permitem criar – sempre me fascinou.

Aos 4 anos já lia e fui uma leitora compulsiva ao longo da infância e da adolescência, seduzida pelas vozes que se faziam ouvir no universo inesgotável do «Era uma vez». Lembro-me de, aos 5 anos, dormir com um manual de Língua Portuguesa, do 3.ºano, debaixo da almofada, oferecido por um vizinho cujos filhos eram um pouco mais velhos do que eu e que, estando mais avançados na escola, já não precisavam dele.

A escrita acompanha este fascínio. Sempre escrevi muito. Cartas, diários, composições, poemas, histórias. Uma amiga falou-me recentemente de um texto que eu escrevi – e do qual tenho apenas uma muito vaga ideia – quando andávamos no 7.º ano. Sim, lembro-me de lhe ter dado um caderno a ler, e das gargalhadas dela, mas já não fazia ideia, se não fosse ela a evocar essa memória, de que nós e alguns dos nossos colegas de turma éramos as personagens principais. Onde andará esse caderninho? Tantas coisas soltas, dispersas.

Escrever faz parte de mim. E gosto mais de escrever do que de ler. Seduz-me o facto de ser conduzida pelas personagens, pela intriga, pelo ambiente, de não conseguir prever o que vai acontecer a seguir. Seduz-me o poder criativo das palavras, gosto de as sentir, experimentar, tirá-las dos lugares habituais e dar-lhes novas configurações e sentidos.

Porquê a Caixa de Hipátia agora? Talvez tenha tido a ver com a necessidade de tornar mais visível a minha paixão pelas palavras e, assim, de a poder partilhar com os outros, com os leitores. A Caixa de Hipátia surge numa altura especial da minha vida, numa fase de muita reflexão e de balanço: o que fiz, o que não fiz, o que gostaria ainda de fazer… A vida não espera por ninguém. Escrevi um texto, no ano passado, para os meus alunos – duas turmas que tive o privilégio de acompanhar ao longo de vários anos e que encheram os meus dias de novidade e ternura – que talvez consiga explicar a motivação que abriu esta pequena caixinha:

Lembro-me perfeitamente de a minha professora da escola primária me dizer que eu seria escritora. Ao longo da minha vida de estudante, muitos foram os professores que me disseram o mesmo. E eu ouvia a repetição dessa sentença sem pensar muito sobre ela, entendia-a apenas como um saboroso reconhecimento público da minha sensibilidade e da minha destreza linguística. Gostava, gostava mesmo, da certeza macia que se aninhava naquelas palavras, percebia nelas o carácter excecional da minha condição predestinada, mas nunca fui além da satisfação que tais considerações elogiosas me concediam. Sempre escrevi muito, é certo, mas de uma forma tão espontânea e intuitiva, quase descuidada de tão imprevisível e tão pouco trabalhada, que sempre me sosseguei com o argumento de que os meus professores se tinham certeiramente enganado e enredado apenas na riqueza adulta do meu vocabulário ou na correção gramatical das minhas frases. Uma escritora teria de ser mais disciplinada, mais meticulosa, mais «profissional». E eu… muitas vezes nem no papel escrevia, bastava-me o caderno inesgotável da imaginação.

Ultimamente, tenho pensado muito nisto. Tenho pensado muito no que fiz, no que não fiz, no que poderia ou gostaria de ter feito, no que valeria a pena ainda fazer ou tentar. Tenho pensado muito na minha professora da escola primária. Escritora. Eu. Tenho pensado muito e pensar demasiado é uma preguiça cansativa. Por isso me multiplico em tarefas para ter o tempo ocupado o tempo todo mas vejo agora que, em todas elas, tento encontrar explicação para o facto de ela se ter enganado. Ou para o facto de eu nunca me ter preocupado com isso até agora. Ou para o facto de eu nunca ter sido outra coisa – e ela desde sempre o ter sabido – e só agora perceber que não é preciso escrever contos ou romances para se ser escritora… do mesmo modo que não é preciso escrever poemas, pelo menos no papel, para se ser poeta.

Quero pensar em cada um de vós como uma página do mesmo livro. Do meu livro. Não escreverei certamente outro tão importante, belo ou decisivo. Tantos anos em vinte páginas. Um livro que enche a biblioteca de toda uma vida. Não sei se a minha professora da escola primária ainda é viva (de repente, tenho imensas saudades dela) mas o livro aqui está.

Agora em relação ao livro, cabe a cada leitor caracterizá-lo. Cada leitor descobrirá o que a caixinha lhe reserva. Penso que é um livro diferente do habitual, pela maneira como brinca com as palavras e pela forma como nele se relacionam referências linguísticas, culturais e intertextuais, mas não vou dizer mais do livro do que aquilo que ele diz de si próprio… Talvez seja para jovens, talvez seja para adultos. Também aqui cada leitor (re)encontrará o seu lugar e há espaço para todos.

Elisabete Bárbara

Encontro soberbo

A autora Andreia Ferreira esteve ontem de vista a uma escola de Vila Nova de Gaia... o resultado foi SOBERBO!

Uma experiência única que espero vir a repetir-se. Não há nada mais gratificante do que ver os mais jovens animados com a literatura e servir de apoio ao crescimento dessa vontade de ler, é simplesmente magnífico!

Andreia Ferreira, autora do livro "Soberba Escuridão"




terça-feira, 3 de abril de 2012

Dia Internacional do livro infantil

Ontem, em comemoração do DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTIL, a ALFARROBA relembrou autores de livros infantis publicado pela ALFARROBA EDIÇÕES.

"Afonso e Roma às avessas" de Carmen Ezequiel, Alfarroba Edições 2012
ilustrações: Nuno Ezequiel

"Carlota, a pulga idiota!" de Sara Policarpo, Alfarroba Edições 2011
ilustrações: Sandra Figueiredo


"O sonho de voar" de Rute Fernandes, Alfarroba Edições 2011
ilustrações: Rute Fernandes


"Clube dos Exploradores" | 1.º - 6.º volume de Marina Santos, Alfarroba Edições 2010-2012
ilustrações: Filipa Cabral e Joana Amaro da Costa

segunda-feira, 2 de abril de 2012

E vimos ROMA às avessas

Acompanhámos Afonso de 2 anos e descobrimos que o mundo pode ter vários sentidos. Foi assim no lançamento do livro de Carmen Ezequiel, com ilustrações de Nuno Ezequiel, este sábado em Alcochete. Vimos ROMA às avessas!