terça-feira, 9 de outubro de 2012

Pré-venda do livro "O Homem das Solas de Vento"


O livro "O Homem das Solas de Vento" de Sérgio Brota será apresentado dia 19 de outubro,

mas entretanto está já em pré-venda na livraria Palavra de Viajante, em Lisboa.

Hora do Conto com a "Patrulha Azul"

HORA DO CONTO "Patrulha Azul" - livraria Letraria (Dolce Vita Tejo - Miraflores)
Com Eva Barros e Guilherme Gonçalves


domingo, 7 de outubro de 2012

Lançamento do livro "O menino dos dedos tristes"

O livro e CD “O menino dos dedos tristes”, da autoria de Josélia Neves, é o primeiro livro em diferentes formatos do catálogo editorial da Alfarroba, permitindo o acesso a todas as pessoas e onde todo o projeto editorial foi desenvolvido tendo como matriz a acessibilidade.
É, pois, um livro para TODOS.
Ajude-nos a divulgar este projeto.
Veja e oiça o convite
aqui.

sábado, 6 de outubro de 2012

"A Devota" por aí...




Entrevista a Sara Farinha



LNOE- De que forma a sua formação superior influencia a sua escrita?

S. F. - Uma das minhas professoras de faculdade costumava dizer que ‘tirar uma licenciatura era ter licença para estudar sozinho’. Foi uma frase que nunca esqueci porque acredito naquilo que ela significa. Escrever é aprender sozinho.
Acredito que o ensino superior me proporcionou algumas ferramentas, a nível pessoal e educacional, que influenciaram a minha escrita. A exposição académica ajudou a construir parte da minha visão sobre comportamentos individuais e sociais dos seres humanos e ensinou-me a teoria que sustenta a pesquisa e a investigação sociológica.
Conhecer outras realidades é o princípio da Sociologia, dos Viajantes e dos Escritores. Uma ligação lógica e indissociável.

LNOE - Como funciona o processo de escrita? Fácil e rápido? Difícil e lento? No que se inspira?

S. F.- Quanto aos processos de escrita, cada género literário tem o seu próprio ritmo. No caso de ‘Percepção’, assim como de qualquer outra obra com este formato, exige pesquisa continuada, execução contínua e revisão cuidada. Não se escreve uma obra em dois dias, dois meses, às vezes, nem em dois anos. Este é um conhecimento que só adquirimos depois de acumular uns quantos rascunhos inacabados.

Quanto à inspiração, mais uma vez, depende do género. Alguns projectos exigem esforços continuados, outros são agraciados com a inspiração de momento, outros são minuciosamente planeados e executados forçando a musa a trabalhar. ‘Percepção’ entrou no tipo ‘esforços continuados’, contando vários anos desde o amadurecimento da ideia até à revisão final.

LNOE - Poesia ou prosa? E porquê?

S. F. - Ambos, sempre. Há sentimentos que a prosa não consegue conter, assim como, há ideias que a poesia é incapaz de expressar.

LNOE - Do acompanhamento que faço ao seu blogue, vejo que lê, essencialmente, em inglês... Existe alguma razão específica para tal ou é pura coincidência? De que forma autoras como J R Ward e Larissa Ione influencia, ou não, o seu trabalho?

S. F. - Leio muito em inglês. Por conveniência, por prazer e porque, ao ler as obras originais (quando o entendimento do idioma original não é obstáculo), evitamos perder algo nas traduções.

Sou fã de Ward, como tenho vindo a afirmar ao longo dos últimos dois anos, sou fã de Fantasia e de ler aquilo que me agrada. Não sei de que forma isto influencia a minha escrita, uma vez que não escrevo no género literário de Ward ou Ione.

 Várias são as obras que considero favoritas, mas esta é uma lista em constante desenvolvimento. Autores como JRR Tolkien, Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Bram Stoker, Enid Blyton, Fernando Pessoa, Luís de Camões, Anne Rice, Florbela Espanca, Oscar Wilde, J.K. Rolling, Dan Brown, Stephenie Meyer, Laurell K. Hamilton, J.R. Ward, Richelle Mead, Luis Sepúlveda, entre outros, constam da minha prateleira de favoritos.

LNOE- "Percepção" é o seu primeiro livro editado, mas quando e qual a sua primeira experiência como escritora?

S. F. - Tenho inúmeras memórias de infância relacionadas com a escrita, mas nessa altura não pensava nisso como algo a perseguir no futuro. Deixo-vos a história mais caricata que, não sendo a primeira nem a única, foi elucidativa.
Algures na preparatória, uma professora de Português solicitou que escrevêssemos uma composição. A melhor de todas seria lida em voz alta para toda a sala ouvir. Sem tema definido mas com três frases iniciais a servir de mote: “Sou um candeeiro de rua”, “Sou a montra de uma loja” e outra qualquer de que já não me recordo (creio que era “Sou um banco de jardim”).
Ditou a inspiração e a imaginação infantil, influenciada por excesso de horas de volta de Shakespeare, Sherlock Holmes, Poirot e Enid Blyton, que o pobre candeeiro de rua estava vivo e testemunhava um homicídio.
Depois de ler o texto, a reacção da professora foi chamar o meu encarregado de educação à escola, porque aquilo “não era normal”. Felizmente o paizinho tinha opiniões muito próprias e uma boa dose de conhecimento e confiança na sua prole.
O meu castigo consistiu numa boa dose de incentivo e na aquisição de um respeito saudável pelas opiniões parentais. O da dita professora consistiu numa conversa animada sobre imaginação infantil e liberdade de expressão criativa.
Ainda me recordo de boa parte da composição vencedora. Escolheu algo leve e fofo… A sua ideia daquilo que uma pré-adolescente deveria ser.

LNOE - Se tivesse que definir "Percepção" em uma frase, qual seria?

S. F. -‘Percepção’ é feita de contrastes, de subtilezas e emoções complexas, de pessoas imperfeitas e auto-descoberta, de medo e desejo, de fantasia num cenário real.

LNOE - O que podem os leitores esperar da leitura de "Percepção? Qual o seu público-alvo?

S. F. - De ‘Percepção’ esperem emoções fortes, num cruzamento entre fantasia e realidade, o início de uma aventura empolgante. 

Para todos aqueles que apreciam debater ideias e possibilidades, que vêem as emoções como parte determinante do comportamento humano e que apreciam uma história com elementos sobrenaturais.


Obrigada à Sara Farinha pela sua disponibilização e muito sucesso!

Entrevista a Pedro Pinto



Blogue: Quando e em que circunstância surgiu a ideia de se tornar escritor?

PP - A escrita surgiu na adolescência, inicialmente com poesia, tendo mais tarde enveredado para a prosa. Os contos foram (são) uma forma da impactar sensações "imediatas", uma forma de mostrar "fotografias" que provêm da minha mente ficcional.
Escrever é como respirar, é estar sintonizado com o "Eu" e poder projetar nos outros isso mesmo.

Blogue: Como surgiu a ideia de escrever o livro "Amor Carnal"?

PP - Amor Carnal foi um projeto que foi desenvolvido ao longo de quase um ano; sim, parece muito, mas existiram indecisões entre o mostrar e não mostrar: mostrei!
 A ideia de base é “o” amor, um sentimento tão explorado, ainda que neste projeto o mesmo seja aflorado de uma forma mais erótico-sexual, uma forma de prazer sensorial, não admitida – por falsos puritanismos -, ainda que parte integrante da vida, saudável, de todos nós.

Blogue: Está a planear escrever alguma obra do género num futuro próximo?

PP – A escrita acontece a cada dia, todos os dias. Recentemente foi publicado um conto “Ama-me!” – uma página por dia, durante doze dias -, apenas em formato digital – via Facebook e Blog-; no fundo, uma forma de presentear os leitores, bem como ir por outros caminhos – nem tudo é “carnal”.
Paralelamente existe o projeto de um romance, ainda sem data definida.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Entrevista a Sara Farinha


Entrevista a Sara Farinha - Blogue Crónicas de uma Leitora


Depois de ter lido o livro Percepção - uma estranha realidade, fiquei com algumas perguntas a pairar, daí decidi tirar as minhas dúvidas e entrevistar a sua autora Sara Farinha. Eis o que ela nos contou...

Pode-nos contar um pouco mais sobre si.
Nascida e criada em Lisboa, adoro as artes como forma de expressão pessoal, as viagens curtas ou longas, em distância e permanência, e o convívio com aqueles que me acompanham nesta existência.
Sou alguém que acredita que quando há vontade encontra-se maneira; que é sempre possível fazer melhor; que não desiste quando as dificuldades se amontoam; que racionalidade e imaginação estão intimamente ligadas; que acredita em valores orientadores; que reflecte exaustivamente sobre o que a rodeia; e que é uma apaixonada pelos temas humanos.
Sou alguém que procura sempre fazer o melhor que pode com aquilo que tem, mas que se esforça por ter mais para poder fazer sempre melhor.

Como uma jovem autora portuguesa qual foi a aceitação que teve com o nosso público?
Temos, por esse mundo fora, um público espantoso. Empreendedores, amantes dos livros, desejosos de contribuir, conhecedores e preocupados com os temas que caracterizam este meio, todos eles contribuem de forma inequívoca para a divulgação dos novos autores portugueses.
Quando encarei com seriedade a publicação de ‘Percepção’, deparei-me com um universo formado por pessoas interessadas e atentas, que vêem naquilo que consideram ser os seus hobbies uma forma de ajudar e incentivar a leitura e os novos autores no nosso país. Fui recebida com simpatia e espírito crítico, com um ‘bem-vinda’ e um ‘não desistas’, ainda hoje me espanta aquilo que conseguimos fazer se estivermos realmente empenhados.

Qual a sua maior inspiração para esta obra?
O constante conflito humano entre Ciência e Paranormal. A ideia original proveio de um texto esotérico que descrevia a influência de algumas pessoas sobre outras, caracterizando-os como predadores das emoções alheias. Esse texto e a minha educação, assente na Ciência e no conhecimento científico, foram a centelha que gerou este livro. O conflito entre Ciência e Paranormal proporcionou a mistura do Cepticismo com a Crença e ‘Percepção’ foi o resultado dessa batalha.

Porquê percepção? Acredita que haja quem tenha uma maior percepção das coisas?
A escolha de percepção deveu-se à minha vontade de misturar o real e o imaginário, de criar uma história num universo temático capaz de cativar qualquer pessoa que sinta algum fascínio pelo paranormal.
A definição de percepção passa pela forma como cada ser encara o que o rodeia. Falar em maior ou menor percepção do mundo é algo estranho, pois seria o mesmo que perguntar se há alguém que seja mais feliz do que os restantes. Ou seja, tudo é relativo.
Acredito que a nossa personalidade, experiência e meio envolvente determinam a informação sensorial que recebemos dos outros e que a adequação da informação recebida é muito importante para as relações entre as pessoas. Noventa e nove porcento das vezes não assimilamos aquilo que é dito mas interpretamos essa informação baseada naquilo que conhecemos e respondemos de acordo com isso. Percepcionamos o que se pretende e respondemos (ou tentamos) de acordo.

Identifica-se de alguma maneira com a protagonista?
Sim. Usei nesta história algumas coisas que me agradam particularmente, como o ambiente londrino, Camden Town e o British Museum. Para além disto, a personagem principal é uma jovem mulher, com uma paixão por poesia e museus, que enfrenta uma viagem de auto-conhecimento profundo. Todos estes são elementos com os quais me relaciono.

O fim deixou muitas coisas em aberto. Para quando a continuação?
A informação que tenho recebido dos vários leitores demonstra que há interesse em ler a continuação desta história. Apesar dos incentivos ainda não decidi quando voltarei ao universo de ‘Percepção’. Para já, pretendo acompanhar de perto os resultados deste primeiro livro e esperar que ele atinja os objectivos fixados.
Não ponho de parte a ideia de escrever um segundo volume, mas a sua publicação é um outro tema que deve ser cuidadosamente ponderado.
Entretanto, usei este universo de ‘Percepção’ num dos Contos que escrevi no âmbito do desafio literário ’12 Meses/12 Contos’, a decorrer no meu blogue.


Agradeço imenso à Sara Farinha e à sua editora Alfarroba Edições pela disponibilidade e simpatia.

Entrevista a Célia Correia Loureiro


Entrevista a Célia Correia Loureiro - Blogue Crónicas de uma Leitora

Tivemos o prazer de entrevistar Célia Correia Loureiro a autora de Demência, cuja opinião podem encontrar aqui no blogue, e que lançará no próximo dia 20 de Outubro a sua obra, O Funeral da Nossa Mãe. Pedimos à Célia que nos falasse de si e eis o que nos disse.


"Nascida a 4 de Dezembro de 1989, fui sempre criada em Almada. Mais velha de cinco irmãos, estudei Informação Turística na ESHTE. Com o curso vieram as Línguas, a História, a paixão pelas tradições. O amor à escrita vem de sempre e, da primeira vez que me vi de frente para um computador, em noventa e tal, em vez de abrir o Solitário pedi para me abrirem “algo onde pudesse escrever” e pus-me a compor um conto. Adoro História, Arte e outras Culturas. Sou um bocado expansiva, falo demais e sou igualmente observadora. Gosto de ver o Homem a viver, a reagir. Gosto de ouvir falar das histórias dos outros. Sou completamente viciada em leitura."

 O seu primeiro livro retrata situações muito específicas mas bastante presentes na nossa sociedade. Quanto da sua experiência pessoal colocou nessa obra?
Não muito. Não da experiência da vida real, pelo menos, excepto no que diz respeito ao Alzheimer, porque convivi de perto com uma das suas “vítimas”. Mas quanto a violência doméstica, amores trocados, abortos? Limitei-me a eliminar a linha ténue que é, para mim, a que distancia a realidade do meu mundo interior. São temas que mexem comigo, aos quais presto atenção e sobre os quais tinha algo a dizer. Foi só expressar-me a seu respeito, porque vivê-lo ou testemunhá-lo próximo de mim não tinha testemunhado. Embora, claro seja que todos temos alguém não muito afastado que viveu algo do género.


Que tipo de pesquisa faz antes de iniciar um novo livro?
Depende do livro. Para o “Demência” reuni artigos sobre o Alzheimer. Para “O Funeral da Nossa Mãe” pesquisei sobre o Portugal dos anos 70 – veículos, música, empresas, anúncios televisivos, mentalidade – e ainda sobre a síndrome de alcoolemia fetal. Pesquisei ainda sobre a Índia sob controlo Português e sobre as raízes e mitos e simbolismos associados ao lápis-lázuli. Para o 1809… bem, é melhor nem começar… li inúmeras páginas de calhamaços de História, fui buscá-los à biblioteca, fui limpar-lhes o pó na minha prateleira, associei-os à Gazeta de Lisboa (início do séc. XIX) online, e ainda ao “Diário de Clarissa Trant”, residente em Portugal aproximadamente nessa altura, digitalizado directamente da Austrália. Vi reportagens e li artigos e ensaios a respeito das Invasões Francesas, etc., etc., etc.
  
Está prestes a lançar o seu segundo livro. Podemos esperar temas igualmente fortes?
Se tiver de enumerar a temática deste novo livro, fá-lo-ia do seguinte modo: relações mãe-filhos, suicídio, pedofilia, deficiência física, disfuncionalidade familiar. Creio que no geral se resume a isto. Se os temas são abordados de modo a que possamos chamá-los “fortes”… isso é ao critério do leitor. Mas… uma mulher que tem tudo para ser feliz e se suicida porque o seu amor já partiu e os filhos não são suficientes para fazê-la feliz? Uma criança a nascer deficiente nos braços de uma mãe sozinha? Negligência materna ao ponto de permitir que o/a filho/a acabe por ser vítima de abusos sexuais? Talvez. Mas a minha intenção não é chocar nem falar de temas que me ultrapassam. São pequenas lições de vida que gostaria de transmitir e de alertar as pessoas a seu respeito.






 Quais as expectativas para “O Funeral da Nossa Mãe”?
Eu penso que este novo livro vá satisfazer todos os que apreciaram o “Demência” – mais ainda a quem teria gostado de ver uma história de amor como protagonista nesse primeiro romance. Neste novo há um amor enorme – daqueles que consomem quem ama e o objecto desse amor, há outros amores paralelos, há três mulheres indecisas, muito femininas, fortes e frágeis à sua medida, a reunir coragem para desmascarar os podres da união dos seus pais. Acho que os leitores vão achar este livro divertido, nalguma medida. Não é algo que se pretenda deprimente, porque a ligação mãe-filhas não era tão forte que este fosse um “funeral” convencional. Mas vão sentir esse amor enorme. Penso que lhes há-de apertar o peito, porque a mim aperta-se ao relê-lo. É mais um lavar de roupa suja. É mais um regresso às raízes e o reunir de três irmãs, agora adultas, que estendem na mesa as peças do puzzle que reuniram respeitantes à união dos seus pais.

Tem algum tipo de organização pessoal para escrever ou fá-lo por inspiração?
Eu bem tento organizar-me, mas nem na escrita funciona. Geralmente faço uma folha com um esquema inicial quando me ocorre a ideia para o romance, porque eu vejo-o transversalmente – do primeiro momento ao último. É claro que ao final do primeiro capítulo já fugi a todo esse primeiro relance que tive. Tenho esse documento a respeito de “O Funeral da Nossa Mãe”, que a propósito teve outros dois nomes antes deste, e que em nada convergem para o que o romance se tornou. O primeiro capítulo é que se manteve o mesmo: a Carolina suicida-se.

Quais os seus projectos literários para o futuro?
Espero muito ganhar terreno com romances históricos, porque dá-me realmente prazer escrever sobre épocas-chave da história nacional, como o terramoto de Lisboa de 1755 ou as Invasões Francesas. Mas também quero muito criar algo introspectivo, quem sabe uma compilação dos textos do meu blogue ou trabalhar melhor um romance que me foi muito pessoal, intitulado “Os Pássaros”, que ainda não sinto suficientemente maduro para abandonar o ninho. Quero algo a uma voz, algo que só faça nexo no interior da cabeça de alguém, e que fale de amor. É que, até bem tarde, o amor foi a coisa que melhor compreendi e que, simultaneamente, mais me intrigou e mais me instigou a escrever.

Acha que o público está mais receptivo aos jovens autores ou ainda se agarram a nomes conhecidos?
É uma boa pergunta. Fiquei surpreendida com a quantidade de pessoas interessadas em ler-me e a outros autores no meu “patamar”. São de tal modo aficionados da literatura que se interessam pelo novo, mas são também apegados aos escritores habituais. O meu desejo é o de que me torne em breve familiar de todas estas pessoas que se dispõem a ouvir a voz dos novos escritores, até que, com o tempo, já lhes pareça da velha guarda. Mas em geral acho que são uma minoria. Isto porque conheço muitas pessoas apegadas ao best-seller e ao livro de autor conhecido. Qualquer actriz/jornalista/apresentadora de tv/jogador de futebol que publique um livro sairá sempre a ganhar aos novos escritores. Porque creio que quem os lê, no fundo, não pretende um encontro com o livro, mas sim um vislumbre do interior do autor, uma aproximação a este rosto que lhe é querido. Vejamos, porque ultimamente têm havido algumas reviravoltas culturais. Quer dizer… a E. L. James safou-se com uma publicação própria, de um livro de raízes pouco recomendáveis em termos de boa literatura, e o mundo inteiro anda a lê-la, mesmo com dezenas de livros do mesmo género – praticamente todos os romances históricos que andam a sair actualmente – ao lado na prateleira e a ser ignorados… Quem lê este género de literatura nem costuma ser quem tem mais prática nestas andanças. Às vezes até são pessoas pouco familiarizadas com a leitura e que ouvem tanto frufru que acabam por aderir ao movimento… Também é certo que alguns escritores, seja a nível nacional ou internacional, já se enraizaram de tal modo no universo da escrita que o leitor estará sempre receptivo às suas obras, e inclusive disposto a dar-lhes crédito quando alguma não é tão bem conseguida. Assim sendo, é bom saber que geralmente até são os leitores a ir ao encontro dos novos autores, visto que estes, tantas vezes, nem voz têm para lhes chegar, e isto é uma tendência nova e admirável.

Como foi dar os primeiros passos para ser editada? Foi difícil?
Dar os passos não é difícil, eu fiz o que tinha de ser feito. Elaborei longos e-mails a várias editoras, “emoldurei” as obras que estavam terminadas e enviei-lhas. Acredito que muitas nem se deram ao trabalho de ver coisa alguma, simplesmente rejeitaram. Quem é esta Célia Loureiro? Não era promessa alguma de venda, como gostaria um dia de ser, apenas para melhor chegar a quem me quiser ler. A Alfarroba tem uma política diferente. Divulga, dá rosto e voz a quem tem algum talento, mas não encontra portas abertas por editoras de topo, que lidam quase exclusivamente com nomes sonantes e best-sellers. Basicamente dá-nos visibilidade, coloca-nos no meio e leva até vós, leitores, o fruto do nosso sonho.

Gostaria de se aventurar noutro estilo literário?
Sim. Visitei recentemente a Irlanda e fiquei impaciente por tentar algo… fantasioso? Algo com bruxas, feitiços e feiticeiros maus, algo que misture realidade e surrealismo, porque não creio ter o talento de um Tolkien para escrever mundos de raiz. Mas fiquei encantada com as lendas, os duendes e as fadas, e de mente muito mais aberta e estimulada para a criação de algo do género.

Sente-se preparada para receber novamente o mar de emoções que envolve o lançamento de um livro?
Hoje mesmo mencionei-o vezes sem conta. O vestido, o cabelo, as flores que espero que estejam lá, os pormenores, a câmara e o tripé. Vou estar a sorrir, de certeza, mas é como um segundo filho. Quando o primeiro veio não sabia bem ao que ia, as pessoas “louvaram-me” um pouco a mim pelo feito. Agora é o que hoje mesmo comentei: espero que este lançamento seja sobre o livro. Pouco importo eu e a sua escrita, importa ele e as suas formas, e estou ansiosa por apresentar aos leitores o desafio que foi escrevê-lo, o quanto me mudou por ir mudando, o quanto me deixou satisfeita por me permitir ser um bocadinho mais, um bocadinho até diferente daquilo que de melhor tinha esperado para ele. Acho que fui adiante com as expectativas que tinha dele, e agora os dedos tremem-me na ânsia de vos explicar a sua essência e nuances. Aguardo-vos na Biblioteca José Saramago (Feijó) no dia 20 de Outubro às 15h00. Apareçam por favor!
  

Agradecemos imenso à Célia a sua simpatia e disponibilidade, desejamos-lhe tudo de bom e que o lançamento deste novo livro seja um sucesso estrondoso. Se puderem não deixem de aparecer no dia 20 de Outubro para dar o apoio que a Célia merece.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Formação - OFICINA ESCRITA CRIATIVA


A Alfarroba e a Câmara Municipal do Montijo/Biblioteca Pública Municipal Manuel Giraldes da Silva irão levar a cabo, no próximo dia 20 de outubro, uma Oficina de Escrita Criativa.

Para informações e inscrições: formacao@alfarroba.com.pt



sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Entrevista a Andreia Ferreira, autora da "Trilogia Soberba" (Mil Estrelas no Colo)

Entrevista a Andreia Ferreira, autora da "Trilogia Soberba" (Mil Estrelas no Colo)




1) Olá Andreia, em primeiro lugar parabéns pelo sucesso do teu primeiro livro e pela publicação do segundo.
Como te sentes ao veres um segundo livro teu ser publicado?
Estou muitíssimo feliz.
Após um ano do nascimento, com a publicação do “Soberba Escuridão”, o “Soberba Tentação” mostra que a “Trilogia Soberba” está a crescer a olhos vistos. Enche-me de alegria saber que há quem espere ansiosamente para ler o desenrolar das personagens por mim criadas. É sinal de que as pessoas gostam do meu trabalho, sentem-se curiosas por aquilo que escrevo e que não passa despercebido no meio da imensa oferta que temos. É tudo o que posso desejar. Agora, só aspiro abrir um leque maior de leitores para os “soberbas”.
2) Conta-nos de onde vem a tua inspiração.

A minha inspiração vem da própria vida. Sou uma espetadora atenta nas horas em que estou acordada e tento ser uma analista nas horas em que estou a dormir. Tenho imensa imaginação e adoro pegar na ponta de um fio, desenrolando os acontecimentos, para ver até onde me leva.
3) Quando estavas a escrever este segundo volume partilhaste a história com alguém para te aconselharem?
Gosto de ouvir opiniões, gosto de sentir a vontade das pessoas em ver a história em andamento, dá-me imensa motivação. Contudo, não costumo acatar as opiniões de mudanças no enredo ou as sugestões de desfecho; só as de caráter técnico.
Tenho algumas pessoas que me ajudam, ao ouvir-me a divagar sobre a história e colocando questões.
4) O que é que nos espera num futuro próximo em termos de projecto?
A prioridade imediata é o desfecho da trilogia, “Soberba Ilusão”. Depois, tenho duas histórias em rascunho. Aquelas em que mais me tenho debruçado falam uma do “Azar”, com um toque de bruxaria, e a outra de sonhos.
Pretendo, no futuro, escrever histórias independentes à trilogia, com duas das personagens.
Recentemente, tem-me surgido uma luz de algo mais calmo, mais reflexivo, mas pretendo guardar essa ideia na gaveta, até ter a maturidade (que só vem com a idade) para a escrever.
5) Na primeira entrevista que te fiz não o perguntei, mas agora o vou fazer: o que achas do blogue Mil estrelas no colo?
É um blogue simpático e aplicado.
Ser bloguer não é fácil e manter o espaço interessante, sem se perder na vulgaridade, é um trabalho árduo, que exige imensa dedicação. O “Mil estrelas no colo” tem identidade e isso faz dele um cantinho que vale a pena seguir.

Opinião - "Soberba Tentação" de Andreia Ferreira (Mil Estrelas no Colo)

Opinião - "Soberba Tentação" de Andreia Ferreira (Mil Estrelas no Colo)



Sinopse:
Depois de descobrir que o sobrenatural não representa um medo irracional e que as criaturas caminham lado a lado com os humanos, Carla tem de enfrentar as consequências do seu envolvimento com o Caael. Os demónios já deixaram marcas na vida da Ana e da Raquel e a Carla começa a sentir algumas dificuldades em encontrar-se. Entre lacunas na memória, sentimentos e novas preocupações, surge uma existência virada do avesso com a linha da vida mais ténue do que nunca. Com a ausência do Caael, assomam revelações que levantam um plano ancestral de uma disputa entre iguais. A Carla vê-se num tabuleiro de xadrez, como um rei isolado, com a rainha a jogar contra ela.
A minha opinião:
Depois de “Soberba Escuridão”, a autora Andreia Ferreira brindou-nos com o segundo volume desta trilogia “Soberba Tentação”. Este segundo volume retoma a história que ficou inacabada no primeiro volume e vem mostrar aos leitores uma grande evolução em todos os sentidos.
Em primeiro lugar é logo notório nas primeiras páginas que a escrita da autora evolui e desta feita está muito mais aprimorada e cuidada. Em segundo lugar também notei que houve um maior cuidado na construção e desenvolvimento das personagens o que faz com que o leitor se identifique e se torne um amigo próximo destas.
A minha personagem favorita e já no primeiro livro foi assim é a Ana que a meu ver é a mais forte e a mais inteligente, ao contrário da personagem principal a Carla que já desde o início que não me conquistou por completo e algumas atitudes dela neste segundo livro também deixaram um pouco a desejar.
ADORO o Ricardo (ainda por cima é o nome do meu namorado lol)! A evolução que houve neste segundo livro nesta personagem agradou-me bastante! Gostei de o conhecer mais e espero que as coisas mudem e que ele fique com quem eu quero! lol
Adorei os cenários, e é sem dúvida um dos pontos fortes do livro! As cenas mais chocantes também estão muito bem conseguidas. Foi sem dúvida um livro que me conquistou desde o início logo com um começo muito muito bom!
Sinceramente penso que a malta que gosta de um bom livro de fantasia não se irá arrepender de ler esta trilogia porque está ao nível de sagas que lemos de autores internacionais como por exemplo L. J. Smith.
Um livro muito bem conseguido que me conquistou e que me deixou ansiosa pelo 3º volume!!!

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

"Uma Linha de Torres" na Livraria Ideal da TVI24

Emílio Miranda, autor de "Uma Linha de Torres", foi o convidado da edição de 4 de agosto da Livraria Ideal.



Neste link poderá visualizar a totalidade da entrevista. O romance histórico e juvenil "Uma Linha de Torres" é abordado a partir do minuto 16:50.

"Soberba Escuridão" na Revista BANG!

Por intermédio do blog "O nosso Mundo Sobrenatural", o livro "Soberba Escuridão" de Andreia Ferreira tem destaque no nº 13 da Revista BANG!:


Entrevista a Célia Correia Loureiro, autora de "Demência" (Os Livros Nossos)

               

   

   

   

   

   

   

   

   

 

 

Entrevista a Elisabete Caldeira e Jorge Campião autores de "Sob o Céu de Paris" (O tempo entre os meus livros)

Entrevista a Elisabete Caldeira e Jorge Campião autores de "Sob o Céu de Paris" (O tempo entre os meus livros)

Ao Domingo com... Elisabete Caldeira e Jorge Campião
"Gosto de começar os domingos com torradas e café com leite pela manhã, o que à primeira vista pode parecer nada ter a ver com o facto de escrever contos e romances. Ontem, Elisabete, falámos desta conversa e sei que a esta hora já tomaste e serviste o pequeno-almoço e estás já a estender roupa ou a passá-la a ferro, convencida de que vou usar o que me escreveste para esta conversa "Ao domingo com…"


Olho para o texto que me enviaste e leio que o teu gosto pela escrita surgiu aos 17 anos e isso já parece ter mais a ver com o facto de termos escrito juntos o "Sob o céu de Paris", mas não me convence.


Disse ontem, na nossa apresentação em Almada, que ninguém escreve livros inteiros, mas apenas metade e que o outro meio é completado pelos leitores, e estes comem torradas nas manhãs de domingo, estendem roupa, passam a ferro e ainda usam da boa vontade e da imaginação para completar as paisagens, a figura das personagens e a intensidade das situações descritas nos livros que leem. Eu sei isso, tu sabes isso e sabem-no todos os leitores do mundo, por isso não há que escondê-lo, não somos diferentes de ninguém, apenas sofremos daquela insuficiência que nos impele a escrever e que permite (desejamos nós) ajudar a colmatar as similares insuficiências de quem necessita de ler, porque a realidade é apenas uma parte das vidas de todos nós, talvez mesmo a mais pequena; a ficção é tudo o resto e tudo o resto é enorme.


Tudo o que a realidade tem de bom é sempre pouco e não nos basta. Por isso, a natureza deu-nos capacidade de imaginar, de fantasiar, de ficcionar, que permite, depois de lavarmos o prato das torradas e a chávena do café com leite, depois de estendermos e passarmos a roupa a ferro, depois de aproveitarmos tudo o que a realidade das nossas vidas tem de bom, ainda nos sentemos e deixemos fluir de nós

paisagens, personagens e conflitos que colocamos em metades de livros que, se a tanto o nosso talento permitir, poderão vir a estimular a fantasia, a imaginação e a consciência de quem nos vier a ler, completando assim o ciclo do livro que escrevermos. Olho de novo para o texto que me enviaste e leio: «Esta história de amor vivida sob o céu de Paris com telas, tintas e cavaletes à mistura foi o resultado de folhear um velho "diário de viagem" ao som de Bach numa tarde nostálgica» e sorrio. Pois é, temos que falar do "Sob o céu de Paris"!


Temos de dizer que no nosso livro mostramos que há pintores com génio e pintores sem génio, mas também pintores com mau génio, como Picasso.
Temos de dizer que acreditamos haver artistas que criam mas também artistas que fazem criar, como a fotógrafa surrealista Dora Maar.
Temos de falar que os prazeres da vida vêm do que sentimos, do que comemos, do que bebemos, do que ouvimos e do que vemos, e que dissemos tudo isso no nosso livro. Temos que acrescentar que os
conflitos fazem parte das pessoas, de nós, dos outros, de entre nós com os outros e que isso também lá está.
Temos de terminar dizendo que escrevemos este livro para que eles (os leitores) o completem lendo e que podem começar a fazê-lo num domingo qualquer…

Elisabete Caldeira 
Jorge Campião

Opinião - "Soberba Tentação" de Andreia Ferreira (Os Livros Nossos)

Opinião - "Soberba Tentação" de Andreia Ferreira (Os Livros Nossos)




Sinopse

Os demónios já deixaram marcas na vida da Ana e da Raquel e a Carla começa a sentir algumas dificuldades em encontrar-se.

Entre lacunas na memória, sentimentos e novas preocupações, surge uma existência virada do avesso com a linha da vida mais ténue do que nunca.

Com a ausência do Caael, assomam revelações que levantam um plano ancestral de uma disputa entre iguais. A Carla vê-se num tabuleiro de xadrez, como um rei isolado, com a rainha a jogar contra ela. Depois de descobrir que o sobrenatural não representa um medo irracional e que as criaturas caminham lado a lado com os humanos, a Carla tem de enfrentar as consequências do seu envolvimento com o Caael.


Crítica/Opinião:
 por:  Isabel Alexandra Almeida/Os Livros Nossos

   "Soberba tentação" é o segundo volume da Trilogia "Soberba", da jovem  autora Andreia Ferreira. Nesta obra acompanhamos a evolução, surpreendente diga-se, do percurso das personagens de Soberba Escuridão, com especial destaque para Carla (a principal Personagem feminina), o seu namorado Caael ( um misterioso e sensual anjo Caído), as melhores amigas de Carla - Ana (agora transformada em Vampira)e a sofredora e ingénua Raquel, assumindo um papel de destaque neste livro Ricardo ( um ser híbrido, Vampiro, humano e demónio), que fica incumbido de zelar pela vida de Carla durante um período de ausência de Caael.

   Todas as personagens evoluem, sendo os humanos envolvidos na luta entre o bem e o mal, e numa guerra inevitável entre seres sobrenaturais, para a qual acabam por ver-se arrastados. Carla vive momentos de paixão, desejo, angústia e culpa que a revelam ainda mais rica em termos psicológicos do que no primeiro livro da trilogia, sendo marcada pelo conflito permanente entre a sua existência antes de se ver envolvida no mundo sobrenatural (que julgara apenas existir nos livros do género fantástico de que era ávida leitora)e os perigos e novas emoções que agora experiencia com a sua ligação ao sobrenatural.

   Mais uma vez, o enredo mostra-se engenhoso, original (sem se colar a estereótipos de obras já existentes)e a narrativa surge perante os olhos do leitor num ritmo bastante rápido, criando um permanente suspense, e a vontade de acompanhar os ulteriores desenvolvimentos, criando-nos dúvidas sobre as reais intenções e sentimentos de algumas personagens, ao ponto de nos identificar-mos com Carla (surgindo uma ainda maior empatia com esta personagem, com a qual partilhamos as incertezas e desconfianças oscilantes com os seres sobrenaturais com que convive e que vê afectarem o seu núcleo de amigos mais próximo, começando já a recear pela segurança da sua família).

   A acção narrada surge pautada por várias reviravoltas, que conseguem surpreender o leitor, ou seja, é impossível prever o que se seguirá, e este tipo de narrativa é o que distingue os escritores comuns daqueles que se mostram já acima da mediania.
   Quanto ao estilo de linguagem utilizado, também se revela evidente uma evolução positiva da mesma, no sentido de um amadurecimento da escritora (enquanto tal) que acaba por ficar patente no modo como são construídas as frases (de modo mais elaborado). Os diálogos surgem ainda mais contextualizados com descrições que permitem complementar os estados de alma das personagens, construindo-se a desejada tensão permanente que se pretende evidenciar.

   Ainda a merecer destaque, o crescendo de sensualidade que se vai notando ao longo do livro, e a forma por vezes até poética como a autora a coloca, considerando-se por exemplo, alguns dos momentos de intimidade entre Carla e Caael, e o modo como são descritos - " (...) Perdi toda a consciência do tempo, do espaço, da física, da ordem como o mundo corria.(...)Totalmente na posse dele. Não havia como contestar o quanto eu me deixara entregar, o quanto ele me envolvia a alma e o corpo."

    Se é certo que há momentos de verdadeira prosa poética, também não são esquecidos os momentos de verdadeiro terror, tão do agrado de qualquer amante do género fantástico, aqui a autora arriscou, na crueza de algumas descrições, mas foi muitíssimo bem sucedida - " Os gritos dele ecoaram no cemitério, o vento levou-os para as aldeias."

   As expectativas não só não saem goradas, ao ler este livro, como são ultrapassadas, está de parabéns Andreia Ferreira por ter conseguido pegar na sua história inicial, desenvolve-la a bom ritmo (não há momentos parados no livro), manter constantes os níveis de interesse do leitor, e surpreendendo-o pela positiva.

   Pensamos que não seria descabida uma internacionalização desta obra! Parabéns Andreia Ferreira, e que venha o terceiro volume!

Opinião - "Soberba Tentação" de Andreia Ferreira (Tertúlias à Lareira)


 


Opinião - "Soberba Tentação" de Andreia Ferreira (Tertúlias à Lareira)

"As campas não passavam de pedras enterradas no solo esquecido. Silvas e trepadeiras parasitas enrolavam-se no granito dando a sensação de posse, como se dissessem que agora aqueles mortos pertenciam à penumbra, já que a luz que move os humanos os esqueceu."


" Se me dissesses, Carla, que te tinhas apaixonado por um gay , eu sentiria pena por um amor que não te seria retribuido. (...) Tenho medo Carla, muito medo por ti, pela Ana, por nós que te rodeamos, que te amamos. Essas coisas não deciam existir. (...) Chama-me hipócrita, mas eu finjo ainda que nada mudou e o mundo não é povoado pelas criaturas que idolatras."


Quem leu a minha opinião sobre o "Soberba Escuridão", primeiro livro desta Trilogia, sabe que gostei do livro. Pois bem, gostei, ainda mais, deste.

Há uma visivel evolução neste segundo livro, tanto no enredo, como nas personagens e na própria escrita da autora. Prendeu-me de imediato com uma escrita fluida, completa e descritiva. Uma leitura fácil, mas não simples (faço-me entender?).

Gostei bastante do facto de que, neste, o enfase deixa de estar na personagem de Caeel, e de Carla, e se foca bastante em personagens como Ricardo e Ana (em especial o primeiro). Ficamos a conhecer melhor este "homem" que tem uma importancia bastante relevante na vida de Carla, neste livro. É aqui que se dá uma reviravolta que me entusiasmou e agradou, e que acima de tudo, me fez pensar sobre tudo o que pensei no primeiro livro. Intrigante? Sim:)

Há um crescimento nas relações entre as personagens, e lemos sobre novos seres, o que completa em muito o enredo que já vinha desde o "Soberba Escuridão", preenchendo algumas "lacunas" na nossa compreensão.

Tal como a própria autora referiu, na entrevista que nos deu recentemente, ela não escreveu uma historinha de amor, e neste livro isso começa a estar bastante patente. Apesar da atracção continuar a envolver as nossas personagens.

Estou bastante curiosa, expectante e ansiosa para poder ler o último livro e saber qual o desfecho que a Andreia dará a todos eles e como será o final. Afinal, de que lado estará o mal? Serão todas as criaturas obscuras, criaturas do mal? Ou aqueles que mais julgamos amar, são aqueles que mais mal nos podem fazer?

Uma leitura viciante, que me fez não largar o livro até à ultima página. Mais uma grande aposta da Alfarroba Editora. Aconselho muito a que leiam os dois livros, acho que não se arrependerão.